Anais - Comunicação Assíncrona (15/06)
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A EDUCAÇÃO DE SURDOS NA MODALIDADE BILÍNGUE: DESAFIOS E PERSPECTIVAS | |||
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A EDUCAÇÃO DE SURDOS NA MODALIDADE BILÍNGUE: DESAFIOS E PERSPECTIVAS Priscila Regina Gonçalves de Melo Giamlourenço (UFSCar) A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB, nº 9394/96, corresponde a legislação que rege a educação no Brasil, e a partir de sua última atualização, em 2021, garante a modalidade bilíngue de educação de surdos de modo independente da educação especial. O direito à educação nessa modalidade, que tem a língua brasileira de sinais, Libras, como primeira língua e a língua portuguesa escrita como segunda nos processos educacionais, vem sendo previsto a partir de outros instrumentos legais, como o Decreto nº 5.626 de 2005 e a Lei Brasileira de Inclusão, Lei nº 13.146 de 2015 (BRASIL, 2005; 2015). Tendo como objetivo refletir questões atinentes aos modos de condução da educação bilíngue, realizou-se uma revisão de literatura (HOHENDORFF, 2014) no Banco Digital de Teses e Dissertações, BDTD. A despeito da previsão legal vigente e anterior à inclusão de novos itens na LDB, visualizou-se que a carência na formação de profissionais acarreta prejuízos na implantação de projetos dessa natureza (CONSTÂNCIO, 2010; SILVA, 2015). Na perspectiva bilíngue, o corpo docente pressupõe contar com apoio de outros profissionais, como o intérprete de Libras, que tem responsabilidades no processo de inclusão e escolarização de surdos (SUZANA, 2014; MENEZES, 2014). A condução do processo de ensino-aprendizagem pressupõe ocorrer em parceria entre profissionais que participam das relações de ensino e dinâmica escolar, sendo, portanto, fundamental a formação continuada de todos os profissionais que nesse contexto se inserem (TUXI, 2009; MARTINS, 2013; MENEZES, 2014; SANTOS, 2014). Para a construção de um espaço de equidade em que se mobilizem práticas pensadas para alunos surdos, em suas diferentes condições, considerando-se especificidades inerentes à Libras e/ou outros recursos de comunicação, compreende-se que a formação da equipe educacional é um grande desafio para se favorecer a educação bilíngue. Tendo em vista o delineamento de práticas educativas na perspectiva de suas especificidades linguística, social e cultural, considera-se ainda o letramento desse público na língua portuguesa, além de características relativas aos diferentes níveis de ensino.
Palavras-chave: Educação bilíngue; Professor de surdos; Intérprete de Libras; Equipe educacional; Formação profissional. ___________________________ O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) -Código de Financiamento 001. Doutoranda em Educação Especial -Progama de Pós-Graduação em Educação Especial- PPGEES, UFSCar, São Carlos, SP, Brasil. E-mail: primelogi@gmail.com Referências Bibliográficas BRASIL. Lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm . Acesso em 11 jun. 2021. BRASIL. Decreto 5626 de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e o art. 18 da Lei n. 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Brasília, DF: Presidência da República, 2005. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm. Acesso em: 11 jun.2021. BRASIL. Lei 13. 146 de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em 11 jun. 2021. CONSTÂNCIO, R. F. J. O intérprete de libras no ensino superior: sua atuação como mediador entre língua portuguesa e a língua de sinais. 2010. 106f. Dissertação (Mestrado em Educação). Programa de Pós-Graduação em Educação. Centro Universitário Moura Lacerda, Ribeirão Preto, 2010. HOHENDORFF, J.V. (2014). Como escrever um artigo de revisão de literatura. In: KOLLER, S. H.; COUTO, M.C.P.de P.; HOHENDORFF, J.V. (Org.). Manual de Produção Científica. Porto Alegre: Penso. Pp. 39-54. MARTINS, V. R. O. Posição-Mestre: desdobramentos foucaultianos sobre a relação de ensino do intérprete de língua de sinais educacional. 2013. 253 f. Tese (Doutorado em Educação).- Programa de Pós-Graduação em Educação. UNICAMP, Campinas, 2013. MENEZES, A. M. C. Diálogos com tradutores-intérpretes de língua de sinais. 2014. 221 f. Tese (Doutorado em Educação Especial) – Programa de Pós-Graduação em Educação Especial. Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2014. SANTOS, L. F. O fazer do intérprete educacional: práticas, estratégias e criações. 2014. 203 f. Tese (Doutorado em Educação Especial ) - Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2014. SILVA, A. R. O desafio do bilinguismo para alunos surdos no contexto da inclusão: o caso de uma escola municipal do Rio de Janeiro. 2015. 164 f. Dissertação (Mestrado em Programa de Pós-graduação em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015. SUZANA, E. R. B. O tradutor/intérprete de libras em contextos de inclusão escolar: perspectivas em uma rede municipal do rio grande do sul. 2014. 98f. Dissertação (Pós-Graduação em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2014. TUXI, P. A atuação do intérprete educacional no ensino fundamental. 2009. 112 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade de Brasília, Brasília, 2009. | |||
ATENÇÃO CONJUNTA: CONTRIBUIÇÕES PARA A ESTIMULAÇÃO PRECOCE DA LINGUAGEM DE CRIANÇAS SURDAS | |||
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ATENÇÃO CONJUNTA: CONTRIBUIÇÕES PARA A ESTIMULAÇÃO PRECOCE DA LINGUAGEM DE CRIANÇAS SURDAS Claudiane Silva Soares (UFBA) A atuação de professores surdos na estimulação precoce da linguagem para crianças surdas é de grande importância, considerando que a maioria delas nasce em lares ouvintes (QUADROS, 1997), necessitando, assim, de uma intervenção que favoreça o seu desenvolvimento linguístico através de uma língua vísuo-espacial. Dessa forma, o trabalho desses profissionais tem uma grande responsabilidade não só no desenvolvimento linguístico, como também, identitário e cultural dessas crianças que não possuem referências familiares que propiciem tal desenvolvimento. Partindo do pressuposto de que essa atividade deve ser desenvolvida, preferencialmente, por um professor surdo, por conta do papel desse modelo adulto, o presente artigo tem como objetivo evidenciar a importância das pesquisas em Aquisição da Linguagem para a formação continuada de professores surdos que trabalham com intervenção precoce da língua de sinais para crianças surdas. A argumentação se baseia nas contribuições que os estudos sobre atenção conjunta têm gerado para compreender o processo de aquisição da linguagem de crianças surdas. Pesquisa bibliográfica foi a metodologia usada para o desenvolvimento deste trabalho. A partir da contribuição de diferentes estudos, foi identificado que a atividade de atenção conjunta entre bebês e suas mães ou cuidadores é elemento característico do input linguístico identificado em contextos naturais de interação entre esses sujeitos e contribui para a aquisição lexical inicial (BARRET, 1997), para a inserção do infante no gênero diálogo e no funcionamento subjetivo sustentado pela língua em uso (CAVALCANTE, 2009), além de ser importante para que ele possa se apropriar de estratégias necessárias na interação a partir de uma língua vísuo-espacial (LIBERMAN et al, 2015). A pesquisa está embasada também em Sass-Lehrer (2018) e Crace (2021) que esclarecem sobre o papel do especialista surdo na intervenção precoce. Conclui-se que os estudos sobre atenção conjunta têm contribuído para a compreensão do processo de aquisição da linguagem da criança surda, mas que é necessário compartilhar tais conhecimentos com aqueles que trabalham diretamente com essas crianças. Assim, defende-se a formação continuada de professores surdos atuantes nessa área, a fim de que os conhecimentos científicos sobre as características do input linguístico no contexto familiar surdo, a exemplo da atividade de atenção conjunta, possa ser aproveitado no contexto institucional, já que que esta atividade contribui para o desenvolvimento linguístico e que o especialista surdo desempenha um papel de referência linguística, que é semelhante àquele desenvolvido pela mãe ou cuidador mais próximo da criança surda com pais surdos, como também é responsável fornecer conhecimento e esclarecimentos para os familiares ouvintes com filhos surdos. Palavras-chave: Aquisição da linguagem da criança surda; atenção conjunta; estimulação precoce da linguagem; formação continuada. Referências bibliográficas: BARRETT, M. Desenvolvimento Lexical Inicial. In: FLETCHER, P.; MACWHINNEY, B. Compêndio da Linguagem da Criança. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.A CAVALCANTE M. C. B. (2009a). A matriz gesto-fala em aquisição da linguagem: observando o diálogo em manhês. In: vi congresso internacional da ABRALIN, 2009, João Pessoa. Anais da ABRALIN 40 anos. João Pessoa: Idéia, v. 1. p. 2425-2434. Disponível em: http://www.leffa.pro.br/tela4/Textos/Textos/Anais/ABRALIN_2009/PDF/Marianne%20 C.%20B.%20Cavalcante%20-%20ok.pdf UFPB. Acesso em: 15 abril 2021. CRACE, J.; REMS-SMARIO, J.; NATHANSON, G. Deaf Professionals & Community Involvement with Early Education. In: NCHAM E-book: A resource guide for early hearing detection & intervention. 2021. Disponível em: http://www.infanthearing.org/ehdi-ebook/ Acesso em: Jun 2021. LIEBERMAN, A. M.; HATRAK, M.; MAYBERRY, R. I. Learning to Look for Language: Development of Joint Attention in Young Deaf Children . In: Language learning and development: the official journal of the Society for Language Development. 2015. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3865891/#!po=82.5301 Acesso em: 10 Maio 2021. QUADROS, R. M. de. Educação de Surdos: aquisição da linguagem. Porto Alegre: Artmed, 1997. SASS- LEHRER, Early Intervention for Children Birth to 3: Families, Communities, & Communication. In: NCHAM E-book: A resource guide for early hearing detection & intervention. 2018. Disponível em: http://www.infanthearing.org/ehdi-ebook/ Acesso em: Abr 2021. | |||
