Anais - Comunicação Assíncrona (15/06)


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A EDUCAÇÃO DE SURDOS NA MODALIDADE BILÍNGUE: DESAFIOS E PERSPECTIVAS

by Priscila Regina Gonçalves de Melo Giamlourenço - Wednesday, 16 June 2021, 3:27 PM
 

A EDUCAÇÃO DE SURDOS NA MODALIDADE BILÍNGUE: DESAFIOS E PERSPECTIVAS

Priscila Regina Gonçalves de Melo Giamlourenço (UFSCar) 

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB, nº 9394/96, corresponde a legislação que rege a educação no Brasil, e a partir de sua última atualização, em 2021, garante a modalidade bilíngue de educação de surdos de modo independente da educação especial. O direito à educação nessa modalidade, que tem a língua brasileira de sinais, Libras, como primeira língua e a língua portuguesa escrita como segunda nos processos educacionais, vem sendo previsto a partir de outros instrumentos legais, como o Decreto nº 5.626 de 2005 e a Lei Brasileira de Inclusão, Lei nº 13.146 de 2015 (BRASIL, 2005; 2015). Tendo como objetivo refletir questões atinentes aos modos de condução da educação bilíngue, realizou-se uma revisão de literatura (HOHENDORFF, 2014) no Banco Digital de Teses e Dissertações, BDTD. A despeito da previsão legal vigente e anterior à inclusão de novos itens na LDB, visualizou-se que a carência na formação de profissionais acarreta prejuízos na implantação de projetos dessa natureza (CONSTÂNCIO, 2010; SILVA, 2015). Na perspectiva bilíngue, o corpo docente pressupõe contar com apoio de outros profissionais, como o intérprete de Libras, que tem responsabilidades no processo de inclusão e escolarização de surdos (SUZANA, 2014; MENEZES, 2014). A condução do processo de ensino-aprendizagem pressupõe ocorrer em parceria entre profissionais que participam das relações de ensino e dinâmica escolar, sendo, portanto, fundamental a formação continuada de todos os profissionais que nesse contexto se inserem (TUXI, 2009; MARTINS, 2013; MENEZES, 2014; SANTOS, 2014). Para a construção de um espaço de equidade em que se mobilizem práticas pensadas para alunos surdos, em suas diferentes condições, considerando-se especificidades inerentes à Libras e/ou outros recursos de comunicação, compreende-se que a formação da equipe educacional é um grande desafio para se favorecer a educação bilíngue. Tendo em vista o delineamento de práticas educativas na perspectiva de suas especificidades linguística, social e cultural, considera-se ainda o letramento desse público na língua portuguesa, além de características relativas aos diferentes níveis de ensino.

 

Palavras-chave: Educação bilíngue; Professor de surdos; Intérprete de Libras; Equipe educacional; Formação profissional.

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O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) -Código de Financiamento 001. Doutoranda em Educação Especial -Progama de Pós-Graduação em Educação Especial- PPGEES, UFSCar, São Carlos, SP, Brasil. E-mail: primelogi@gmail.com

Referências Bibliográficas

BRASIL. Lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Presidência da República, 1996. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm . Acesso em 11 jun. 2021.

BRASIL. Decreto 5626 de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei n. 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e o art. 18 da Lei n. 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Brasília, DF: Presidência da República, 2005. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm. Acesso em: 11 jun.2021.

BRASIL. Lei 13. 146 de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF: Presidência da República, 2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em 11 jun. 2021.

CONSTÂNCIO, R. F. J. O intérprete de libras no ensino superior: sua atuação como mediador entre língua portuguesa e a língua de sinais. 2010. 106f. Dissertação (Mestrado em Educação). Programa de Pós-Graduação em Educação. Centro Universitário Moura Lacerda, Ribeirão Preto, 2010.

HOHENDORFF, J.V. (2014). Como escrever um artigo de revisão de literatura. In: KOLLER, S. H.; COUTO, M.C.P.de P.; HOHENDORFF, J.V. (Org.). Manual de Produção Científica. Porto Alegre: Penso. Pp. 39-54.

MARTINS, V. R. O. Posição-Mestre: desdobramentos foucaultianos sobre a relação de ensino do intérprete de língua de sinais educacional. 2013. 253 f. Tese (Doutorado em Educação).- Programa de Pós-Graduação em Educação. UNICAMP, Campinas, 2013.

MENEZES, A. M. C. Diálogos com tradutores-intérpretes de língua de sinais. 2014. 221 f. Tese (Doutorado em Educação Especial) – Programa de Pós-Graduação em Educação Especial. Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2014.

SANTOS, L. F. O fazer do intérprete educacional: práticas, estratégias e criações. 2014. 203 f. Tese (Doutorado em Educação Especial ) - Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2014.

SILVA, A. R. O desafio do bilinguismo para alunos surdos no contexto da inclusão: o caso de uma escola municipal do Rio de Janeiro. 2015. 164 f. Dissertação (Mestrado em Programa de Pós-graduação em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.

SUZANA, E. R. B. O tradutor/intérprete de libras em contextos de inclusão escolar: perspectivas em uma rede municipal do rio grande do sul. 2014. 98f. Dissertação (Pós-Graduação em Educação) – Faculdade de Educação, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2014.

TUXI, P. A atuação do intérprete educacional no ensino fundamental. 2009. 112 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Faculdade de Educação, Universidade de Brasília, Brasília, 2009.


 

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A PESQUISA CIENTÍFICA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE SURDOS: O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC) EM FOCO

by ROBERTA CANTARELA - Tuesday, 15 June 2021, 9:33 AM
 

A PESQUISA CIENTÍFICA NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE SURDOS: O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (TCC) EM FOCO

Roberta Cantarela (UnB)

Este trabalho tem como objetivo analisar a importância da pesquisa científica na formação de professores de Surdos. Para isso, a análise será focada na Disciplina Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). A metodologia utilizada será pesquisa-ação (CHIZZOTTI, 2006) e o espaço de análise será no curso de Licenciatura em Língua de Sinais Brasileira – Português Escrito como Segunda Língua (LSB - PSL) da Universidade de Brasília (UnB). É fundamental ressaltar que o Curso LSB - PSL foi iniciado no ano de 2015, a partir de Políticas Públicas do Programa “Viver Sem Limites” (BRASIL, 2011; BRASIL, 2013). E conforme Faulstich (2018), o planejamento da criação do curso foi feito a partir de uma consulta do Ministério da Educação (MEC) às universidades sobre a oferta, por meio do Ofício Circular nº 05/2012 – GAB/SESu/MEC, de 14 de junho de 2012. A Licenciatura LSB - PSL se estabeleceu na comunidade acadêmica de Brasília como uma porta que permitiu o ingresso de mais pessoas surdas, ensurdecidas e surdocegas no Ensino Superior. Em relação à disciplina de TCC na UnB, o seu objetivo central é ampliar a capacidade de utilização dos conceitos e teorias apreciados no curso. Para embasar este trabalho, trazemos a comunidade Surda acadêmica para debater o espaço da pesquisa científica sobre a Educação de Surdos, como Quadros & Perlin (2007), Perlin & Strobel (2014) e Strobel (2007) e em relação à pesquisa científica é baseada em Barbosa (2007) e Silva (2001). Neste contexto de discussão, a Disciplina TCC tem se constituído como papel relevante na formação de um professor de Surdos ávido por conhecimento, pois poderá ser um dos meios do estudante de graduação se tornar um pesquisador e continuar a trilhar a sua vida acadêmica para passos futuros, como o mestrado.

 

Palavras-chave: Educação de Surdos. Graduação em Língua de Sinais. Português Segunda Língua (PSL). Trabalho de Conclusão de Curso.


Referências Bibliográficas

 

BARBOSA, Susana Mesquita. A formação do pesquisador na graduação: análise das principais obras de metodologia do trabalho científico. 2007. Dissertação (mestrado) - Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação, Campinas, SP. Disponível em: <http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/252486>. Acesso em: 6 jun. 21

BRASIL. Decreto n.º 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras, e o art. 18 da Lei nº 10.098 de 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF. 2005.

BRASIL. Lei n.º 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF. 2002.

BRASIL. Viver sem Limite - Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Brasília: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, 2013. Disponível em: <https://www.mdh.gov.br/biblioteca/pessoa-com-deficiencia/cartilha-viver-sem-limite-plano-nacional-dos-direitos-da-pessoa-com-deficiencia/view>. Acesso em: 10 de abril de 2021.

BRASIL. Decreto nº 7.612, de 17 de novembro de 2011. Institui o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Plano Viver sem Limite. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Decreto/D7612.htm>. Acesso em: 6 jun. 2021.

CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa qualitativa em ciências humanas e sociais. Petrópolis, Ed. Vozes, 2006.

FAULSTICH, Enilde. Terminologia: a disciplina da nova era na formação profissional de língua de sinais. In. Revista Espaço. INES. Rio de Janeiro, n.º 49, jan-jun de 2018.

PERLIN, Gladis & STROBEL, Karin. História cultural dos surdos: desafio contemporâneo. Educ. rev. [online]. 2014, n.spe-2, pp.17-31. ISSN 0104-4060.

STROBEL, Karin Lilian. História dos Surdos: representações ‘mascaradas’ das identidades surdas, QUADROS, Ronice Muller e PERLIN, Gladis (orgs.). Estudos Surdos II. Petrópolis-RJ: Editora Arara Azul, 2007.

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA. Projeto Político Pedagógico de Curso Licenciatura em Língua De Sinais Brasileira – Português como Segunda Língua (LSB – PSL). Brasília, 2018.

SILVA, Franklin Leopoldo. e. Reflexões sobre o conceito e a função da universidade pública. In. Estudos Avançados, 15(42), 2001, p. 295-304. Recuperado de https://www.revistas.usp.br/eav/article/view/9807 Acesso em 6 jun. 2021.


 

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ATENÇÃO CONJUNTA: CONTRIBUIÇÕES PARA A ESTIMULAÇÃO PRECOCE DA LINGUAGEM DE CRIANÇAS SURDAS

by CLAUDIANE SILVA SOARES - Sunday, 13 June 2021, 10:23 PM
 

ATENÇÃO CONJUNTA: CONTRIBUIÇÕES PARA A ESTIMULAÇÃO PRECOCE DA LINGUAGEM DE CRIANÇAS SURDAS

 Claudiane Silva Soares (UFBA)

A atuação de professores surdos na estimulação precoce da linguagem para crianças surdas é de grande importância, considerando que a maioria delas nasce em lares ouvintes (QUADROS, 1997), necessitando, assim, de uma intervenção que favoreça o seu desenvolvimento linguístico através de uma língua vísuo-espacial. Dessa forma, o trabalho desses profissionais tem uma grande responsabilidade não só no desenvolvimento linguístico, como também, identitário e cultural dessas crianças que não possuem referências familiares que propiciem tal desenvolvimento. Partindo do pressuposto de que essa atividade deve ser desenvolvida, preferencialmente, por um professor surdo, por conta do papel desse modelo adulto, o presente artigo tem como objetivo evidenciar a importância das pesquisas em Aquisição da Linguagem para a formação continuada de professores surdos que trabalham com intervenção precoce da língua de sinais para crianças surdas. A argumentação se baseia nas contribuições que os estudos sobre atenção conjunta têm gerado para compreender o processo de aquisição da linguagem de crianças surdas. Pesquisa bibliográfica foi a metodologia usada para o desenvolvimento deste trabalho. A partir da contribuição de diferentes estudos, foi identificado que a atividade de atenção conjunta entre bebês e suas mães ou cuidadores é elemento característico do input linguístico identificado em contextos naturais de interação entre esses sujeitos e contribui para a aquisição lexical inicial (BARRET, 1997), para a inserção do infante no gênero diálogo e no funcionamento subjetivo sustentado pela língua em uso (CAVALCANTE, 2009), além de ser importante para que ele possa se apropriar de estratégias necessárias na interação a partir de uma língua vísuo-espacial (LIBERMAN et al, 2015). A pesquisa está embasada também em  Sass-Lehrer (2018) e Crace (2021) que esclarecem sobre o papel do especialista surdo na intervenção precoce. Conclui-se que os estudos sobre atenção conjunta têm contribuído para a compreensão do processo de aquisição da linguagem da criança surda, mas que é necessário compartilhar tais conhecimentos com aqueles que trabalham diretamente com essas crianças. Assim, defende-se a formação continuada de professores surdos atuantes nessa área, a fim de que os conhecimentos científicos sobre as características do input linguístico no contexto familiar surdo, a exemplo da atividade de atenção conjunta, possa ser aproveitado no contexto institucional, já que que esta atividade contribui para o desenvolvimento linguístico e que o especialista surdo desempenha um papel de referência linguística, que é semelhante  àquele desenvolvido pela mãe ou cuidador mais próximo da criança surda com pais surdos, como também é responsável fornecer conhecimento e esclarecimentos para os familiares ouvintes com filhos surdos.

Palavras-chave: Aquisição da linguagem da criança surda; atenção conjunta; estimulação precoce da linguagem; formação continuada.

Referências bibliográficas:

BARRETT, M. Desenvolvimento Lexical Inicial. In: FLETCHER, P.; MACWHINNEY, B. Compêndio da Linguagem da Criança. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.A

CAVALCANTE M. C. B. (2009a). A matriz gesto-fala em aquisição da linguagem: observando o diálogo em manhês. In: vi congresso internacional da ABRALIN, 2009, João Pessoa. Anais da ABRALIN 40 anos. João Pessoa: Idéia, v. 1. p. 2425-2434. Disponível em: http://www.leffa.pro.br/tela4/Textos/Textos/Anais/ABRALIN_2009/PDF/Marianne%20 C.%20B.%20Cavalcante%20-%20ok.pdf UFPB. Acesso em: 15 abril 2021.

CRACE, J.; REMS-SMARIO, J.; NATHANSON, G. Deaf Professionals & Community Involvement with Early Education. In: NCHAM E-book: A resource guide for early hearing detection & intervention. 2021. Disponível em: http://www.infanthearing.org/ehdi-ebook/ Acesso em: Jun 2021.

LIEBERMAN, A. M.; HATRAK, M.; MAYBERRY, R. I. Learning to Look for Language: Development of Joint Attention in Young Deaf Children . In: Language learning and development: the official journal of the Society for Language Development. 2015. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3865891/#!po=82.5301 Acesso em: 10 Maio 2021.

QUADROS, R. M. de. Educação de Surdos: aquisição da linguagem. Porto Alegre: Artmed, 1997.

SASS- LEHRER, Early Intervention for Children Birth to 3: Families, Communities, & Communication. In: NCHAM E-book: A  resource guide for early hearing detection & intervention. 2018. Disponível em: http://www.infanthearing.org/ehdi-ebook/ Acesso em: Abr 2021.

 


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